Eram 2h15 da madrugada, e eu estava na redação da revista Futebol Expresso, numa garagem d Rua Simpatia, na Vila Madalena. Eu estava ajudando no fechamento da primeira edição. Fechamento de número 1 é fogo. Que o diga o chefe de arte, que estava fazendo a diagramação sozinho em outro computador. Eu estava lá desde as 19 horas, mas a maior parte do pessoal estava desde aquela manhã. Com meu texto sobre o jogo do São Caetano terminado ainda em casa, fui para lá, ajudei na revisão dos textos e dei uns palpites na diagramação.
Tive que ficar devendo o site, por enquanto. Não pude terminá-lo, porque o conteúdo de que eu precisava estava com o chefe de arte, que não tinha como me enviar, porque a prioridade era — na verdade, ainda era, naquela madrugada — o fechamento da revista impressa.
Até que gostei da diagramação da revista, apesar de o chefe de arte ter usado Arial como fonte dos textos e Corel Draw para diagramá-los. Fazer o quê, né? Àquela altura, as oito primeiras páginas já estavam em um CD, a caminho da gráfica da Abril, na Marginal Tietê — não confundir com o prédio da mesma editora na Marginal Pinheiros. As demais ainda estavam sendo fechadas, com os últimos quatro remanescentes da redação preparados para sair com outro CD assim que tudo estivesse pronto.
Só que o domingo teimava em não terminar, mesmo se arrastando pela madrugada de segunda-feira. Às 3h30, o CD com as páginas restantes começou a ser queimado. Esperamos apenas que ele saísse do “forno”, para sairmos rumo à gráfica. Talvez eu estivesse imaginando que ainda conseguiria chegar em casa antes do amanhecer, até porque eu teria de trabalhar no meu emprego principal. Meus planos, porém, acabaram sendo atropelados.
Foi uma sucessão de problemas sem explicação. Primeiro, um dos arquivos EPS que o chefe de arte mandou, referente à página 12, não abria lá na gráfica. Não foi um grande problema, porque ele tinha ficado na redação, justamente para algum imprevisto como esse. Depois, chegou a segunda leva de páginas, com nova versão da página 12. Tudo abriu perfeitamente, mas… o texto estava em quatro cores, em vez de apenas em preto, o que é um grande problema para impressão. Como o chefe de arte ainda estava na redação, ele corrigiu os arquivos e levou o CD para a Abril, embora essa operação tenha durado quase duas horas.

Era perto de seis da manhã quando ele chegou à gráfica, e mais um problema surgiu para a coleção: os arquivos EPS estavam com o mesmo problema. Felizmente, ele tinha trazido também os arquivos PDF. Só que os PDFs estavam com várias páginas agrupadas dentro de cada arquivo, o que trouxe mais demora até o pessoal da Abril entender como tudo estava arranjado. Por fim, os PDFs estavam com algum problema, que não entendi até agora, em que o arquivo gerado não conseguia ripar sei lá o quê.
Foi aí que entrou em cena o Zé Rubens. Não sei de mais detalhes sobre ele, mas agora é um nome famoso na redação. Ligaram para a casa dele às sete e pouco, pedindo para ele ir resolver, já que tinha experiência nesse tipo de coisa. Ele demorou um pouco para chegar, mas, quando finalmente chegou, o problema foi resolvido rapidamente. Às nove horas, tínhamos o boneco da revista na mão.
O problema é que a coleção de problemas continuava sendo um problema: uma rotativa estava reservada para a nossa impressão desde as 23 horas, e, já que os arquivos estavam demorando demais, a Abril teve de liberá-la para outras impressões, seguindo o seu cronograma — vocês não fazem ideia do volume de impressões que eles fazem lá. Assim, a Futebol Expresso número 1 passou para o fim da fila.

Esperamos, esperamos e esperamos. O pessoal da Abril até arrumou uma sala de reuniões, onde pudemos ficar esperando, sem encher muito o saco deles. Um pouco antes das duas da tarde, apareceu a prova. Não refilada, mas já deu para termos uma ideia do que vai chegar às padarias no fim da tarde: uma revista muito legal. Muito legal, mesmo.
Valeu a pena ter esperado esse tempo todo na gráfica, perdendo um dia de trabalho? Não sei. Afinal, apenas o chefe de arte realmente tinha o que fazer ali, já que ele é, bem… o chefe de arte. Os demais integrantes da redação estavam ali como “lastro”, para o oba-oba da primeira edição. Óbvio que adorei ter uma prova aqui comigo, que será guardada com carinho, mas provavelmente eu teria feito melhor se tivesse saído logo depois do fechamento.
Agora não dá mais para mudar, então vou é dormir! Isso, claro, assim que colocar a lista de padarias no site. Felizmente, depois de 29 horas acordado, já não estou com tanto sono e aguento fazer essa lista, que deverá ser rápida.
Fotos: Alexandre Giesbrecht.
