Pois, é. Desde ontem, sou um homem casado. A menos de um mês de completar trinta anos, dei o passo que é considerado como o máximo amadurecimento na vida de um homem. Grande bobagem, claro, mas esse simbolismo ainda existe. A cerimônia foi na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Campos Elísios, mas, qualquer coisa, sempre poderei dizer que foi em Sacre Coeur, Champs-Élysées. A recepção foi no Hotel Othon, na Praça do Patriarca. Ambos os locais no Centro de São Paulo, um deles no Centro Velho, mesmo. Prefiro este simbolismo.
Ao longo daquela inesquecível tarde, uma série de pequenas histórias paralelas ajudou a construir a narrativa principal. Aproveitando que só sairemos de lua de mel daqui a dois dias, reuni algumas dessas histórias, para me lembrar delas no futuro.
Antes da cerimônia, houve dois problemas de vestuário entre os padrinhos; um de cada lado. O botão do paletó de um estourou de repente. Felizmente, havia duas madrinhas com agulha e linha para consertar a tempo. Outro padrinho não teve a mesma sorte: o zíper da sua braguilha não fechava de jeito nenhum, e ele teve de subir no altar assim mesmo.
Na hora da troca das alianças, coloquei a da Mel no dedo dela. Logo depois, peguei nas mãos dela, enquanto ela se preparava para colocar a minha. Nisso, ouvi minha mãe, logo atrás, dizer: “A esquerda, a esquerda!” Na hora, pensei que tinha colocado a aliança da Mel na mão errada. Fui tentar tirar a aliança dela, mas, na hora que olhei de novo, percebi que já estava na mão certa. Minha mãe é que não prestou atenção e achou que eu tinha dado minha mão direita para receber a aliança.
Demoramos um tempão para chegar à recepção depois da cerimônia. Saindo da igreja, paramos no Theatro Municipal para uma breve sessão de fotos, onde fomos o centro das atenções dos transeuntes, que formaram um semicírculo para observar o casal fazendo pose na frente do belo edifício. Dali até o hotel onde seria a recepção, era só cruzar o Viaduto do Chá. Um tiro de espingardinha, como descreveu meu eterno vizinho Zé.
Mas o motorista conseguiu errar o caminho! Ele cruzou, sim, o viaduto, mas passou reto pelo hotel, logo na esquina da Líbero Badaró com a Praça do Patriarca, em frente ao viaduto. O mais engraçado foi o câmera filmando o que seria a chegada do carro e provavelmente não entendendo por que o carro não parou. Não tão engraçada foi a volta que tivemos de dar. Ali, não havia outro jeito senão seguir pelo Largo de São Francisco, Brigadeiro, Viaduto Dona Paulina, Praça João Mendes, Rua Wenceslau Brás, Praça da Sé, Rua Boa Vista, Largo de São Bento e, ufa!, Rua Líbero Badaró novamente.
Chegando ao hotel, mais uma sessão de fotos, no lobby. Aí, uma subida a um dos apartamentos do hotel, para consertar mais um probleminha de vestuário, desta vez o saiote por dentro do vestido da Mel, que estava caindo. Só depois de consertado esse problema, com algo em torno de meia hora de atraso, é que conseguimos chegar ao salão onde se daria a festa. Ah, sim, chegamos ao salão e fomos cozinhar junto com os convidados, que já estavam assando havia mais tempo o ar-condicionado estava quebrado, aparentemente desde o dia anterior.
Recebemos diversos elogios pelas músicas tocadas na igreja, a maioria rocks atuais executados no violino. Subi ao altar junto com os pais e padrinhos ao som de “Nutshell”, do Alice In Chains. Lembro-me de, logo antes de entrarmos, quando a música começou a ser tocada, só no órgão, e eu ter achado que não estava muito boa. Só que, no que entrou o violino, ela ficou simplesmente perfeita! Fiquei parado no altar, esperando a entrada da Mel, só contemplando a beleza daquela música. Seguiram-se depois o tema do filme O Último dos Moicanos, “Tears of the Dragon”, do Bruce Dickinson, “Iris”, do Goo-Goo Dolls, e “Clocks”, do Coldplay, entre outras músicas mais ortodoxas.
