Ônibus em Buenos Aires. Foto: Alexandre Giesbrecht.

Diário de viagem (2)

Buenos Aires — O segundo dia por aqui foi ainda mais bonito — e mais quente — que o primeiro. E também começou cedo. Com café da manha tipo buffet, para garantir a barriga cheia durante o city tour da manhã e, quem sabe, até para eliminar a necessidade de almoço, que pode ser vista como perda de tempo, dependendo de como estiver a programação do dia. O ônibus do city tour foi pontual. Pena que o pessoal que foi pego nos hotéis seguintes não o foi. A que mais atrasou foi justamente a última, uma brasileira de camisa preta.

Depois do “tour de hotéis”, era a hora de começar o verdadeiro city tour. Começamos rodando pelo Centro, muito bonito, mas mais mal cuidado do que eu imaginava. A primeira descida, curta, foi na Plaza de Mayo. Já deu para começar a bateria de fotos do dia por lá e rapidamente pelo interior da catedral (que mais parece um templo grego pagão do que uma igreja, quanto mais católica). Adivinhem quem foi a última pessoa a entrar no ônibus. Isso mesmo: a brasileira da camisa preta.

Continuamos o passeio, indo na direção do bairro da Boca. Paramos na frente do estádio, que parece mesmo um caldeirão do lado de fora. Não havia muito a ver por lá, então a descida foi ainda mais curta que o previsto para todo mundo. Quer dizer, menos para… é, ela mesma. Levou uma grande vaia do ônibus inteiro.

De lá até El Caminito era rapidinho, e aí pudemos fazer uma descida de meia hora. Andamos por um dos quarteirões de casas coloridas, batemos mais fotos e a Mel achou a primeira barganha dela. Batemos mais fotos e voltamos ao ônibus na hora prevista. Todos, aliás, voltaram na hora prevista. Não, ela nãao. Desta vez, até a amiga dela, que tinha atrasado nas outras paradas, estava no ônibus, mas a da camisa preta não apareceu. A guia ainda esperou por dez minutos, para daí mandar o motorista ir embora, sob aplausos do ônibus inteiro. Não sabemos qual foi o destino da mulher.

Prosseguimos por Puerto Madero, Palermo e Recoleta. A última parada foi mesmo “última”: tínhamos a opção de ficar em Recoleta e seguir para o hotel como bem entendêssemos. Grande opção! Afinal, pela nossa programação, acabaríamos não conseguindo conhecer o bairro sem ser por trás da janela de algum táxi ou ônibus e a visita à microcervejaria teria de ficar para uma próxima visita a Buenos Aires.

Fizemos algo que alguns chamariam de almoço (batata frita, amendoim e cerveja — suco, no caso da Mel) e resolvemos voltar a pé para o hotel. Não que fosse muito perto, mas também não era muito longe, e é a pé que você conhece uma cidade. Como é tudo razoavelmente quadriculado, não havia nenhum segredo. O duro mesmo é atravessar a 9 de Julio. Você precisa de três sinais verdes para pedestres para poder cruzá-la sem ter de correr.

No caminho, ainda passamos por uma estação de metrô, e eu tive a ideia de aproveitar para conhecer o metrô daqui. Olhei no mapa da estação e procurei pela estação que eu sabia ser a mais próxima do hotel: Lavalle. Era a estação seguinte! Pegamos, pois, o Subte e andamos uma estação. Mas pagamos muito barato. Enquanto em São Paulo teríamos pago quatro reais (ou seis pesos), aqui duas passagens saíram por 1,40 peso.

Estátua na Estação General San Martín — seria o próprio? Foto: Alexandre Giesbrecht.
Estátua na Estação General San Martín — seria o próprio? Foto: Alexandre Giesbrecht.

A decepção, neste caso, foi com o estado das estações e dos trens. Tudo muito malcuidado. A falta de educação de quem usava também era tanta, que o pessoal jogava os bilhetes usados dentro do vidro que protege a estátua de alguma figura histórica local. Mas chegamos vivos à estação seguinte.

A ordem era tentar arrumar alguma casa de câmbio no caminho até o hotel para trocarmos alguns dólares por pesos, já que, quando aceitam dólares, o câmbio muitas vezes não é nada vantajoso. Achamos, mas, mais uma vez, não consegui trocar uma nota de cinco dólares manchada de tinta que eu tinha. Pelo menos, descobri onde eu poderia trocá-la. O inconveniente é que isso acarretou em mais um item para a programação de hoje.

Mal chegamos ao hotel, e a guia do “tour de compras” chegou. Não tivemos tempo nem para pôr as pilhas da câmera para recarregar. Ela levou-nos primeiro a Avellaneda, para uma loja de couros que tinha realmente preços fantásticos. Aliás, ainda mais fantásticos quando se comparava com a segunda loja, bem mais cara. Depois, mais duas lojas de marcas famosas, que deveriam ter preços mais convidativos, embora ainda fossem mais baratas que no Brasil. Sim, achamos algumas pechinchas.

O tour de compras demorou também mais do que prevíamos, e de novo pudemos parar no hotel apenas rapidamente, com tempo marcado para trocar de roupa: o ônibus que nos levaria ao Señor Tango estava para chegar. Como não conseguimos carregar as pilhas, comprei duas no Open 25 HRS mais próximo — eles vendem pilhas individuais!

O problema era que no Señor Tango não se podia tirar fotos. Lógico, é mais uma maneira de empurrar fotos batidas e reveladas na hora para os turistas. Só que ninguém (e não me refiro apenas aos brasileiros) estava respeitando a tal proibição — só a respeitaram na hora do show propriamente dito. Então, até nós resolvemos bater uma foto nossa. Com isso economizamos os trinta pesos ou dez dólares que cobravam por uma (!) foto ampliada.

A comida estava boa. A Mel pediu bife de chorizo; eu foi de truta. Vinho servido à vontade, embora não fosse tao bom quanto o da noite anterior. Já o show foi impressionante. Como bem disse o amigo Marcelo Constantino antes de viajarmos, é espetáculo mesmo. Comprido demais para uma cadeira tao desconfortável, mas bacana, mesmo.

Na volta, toda a correria do dia conspirou para uma noite de sono em que nenhum dos dois teve problema algum para dormir. Amanhã não temos programação de tours: nós é que vamos fazer a nossa programação. Acho que isso vai fazer deste talvez o dia mais divertido de todos! (E, quem sabe, até sobre um tempinho para descanso…)

Fotos: Alexandre Giesbrecht.