O Brasil vai jogar em Kazan na sexta-feira, contra a Bélgica, e essa cidade tem algumas curiosidades que vale a pena contar. Por exemplo, ela é a capital do Tartaristão. Você talvez não tenha ouvido falar dessa república, mas certamente já ouviu falar de seu gentílico: tártaro.
Não que o molho tenha necessariamente origem nessa república — uma das teorias da origem do molho tártaro é que ele tenha sido criado pelos mongóis, compatriotas de Genghis Khan, povo que era conhecido na Europa como “tártaros”.
Os tártaros podem ter fundado Kazan por volta do ano 1000 (hoje considera-se 1005) ou podem tê-la conquistado dos búlgaros do Volga dois séculos depois. Com a fragmentação do Império Mongol, Kazan passou a fazer parte do Canato da Horda Dourada, o mais duradouro dentre os quatro canatos criados quando dessa fragmentação.
Mais tarde, em 1438, a Horda Dourada também se fragmentou, e Kazan passou a ser a capital do Canato de Kazan, um Estado bastante turbulento politicamente: em 115 anos, teve dezenove soberanos diferentes (cãs). Isso não impediu que o Canato de Kazan fosse poderoso, ainda que de maneira efêmera. Os russos tentaram conquistá-lo na década de 1480, sem sucesso. Setenta anos depois, entretanto, os russos voltaram à carga, sob o comando de Ivan, o Terrível, e conquistaram a região.
Desde então, a cidade passou a fazer parte do Império Russo. No início, foi tentada uma limpeza étnica contra os tártaros. Os poucos sobreviventes foram forçados a se mudar para uma localidade a cinquenta quilômetros de lá. (O cerco a Kazan também serviu para libertar oito mil escravos.)
Nove grandes incêndios entre 1595 e 1842 destruíram parte da cidade, assim como durante uma grande revolta liderada pelos cossacos, em 1774. As partes baixas da cidade também sofriam com enchentes do Rio Volga. No século 19, a cidade, já reconstruída com prédios de pedra, em vez de madeira, ganhou uma universidade e uma gráfica, tornando-se um importante centro de estudos. No fim desse século, também ganhou um centro industrial, atraindo gente de regiões vizinhas que buscava trabalho.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Kazan recebeu indústrias e fábricas que foram mudadas de de cidades mais a oeste, especialmente do setor militar, produzindo tanques e aviões. Após a guerra, a cidade foi consolidada como um centro industrial e científico.
Com o fim da União Soviética, Kazan voltou a ser o cento da cultura e identidade tártaras. Mais recentemente, o centro histórico foi reconstruído, o que incluiu a demolição de vários distritos históricos.
Foi apenas em 2005 que uma comissão histórica reconheceu a fundação da cidade em 1005, por “coincidência” a tempo de celebrar o aniversário de mil anos. Hoje, a sinalização em Kazan é feita em russo, inglês e tártaro, outra mudança recente.
Foto: Rua Bauman, em Kazan. Crédito: Ayrat Khayrullin/Wikimedia Commons. Texto originalmente publicado em tuítes.
