A peregrinação de ontem foi a Porto Alegre. Não poderia faltar uma pitada de aventura — ou adrenalina e só, mesmo; depende do ponto de vista. A viagem de ida e o curso transcorreram bem. A viagem de volta parecia seguir no mesmo caminho. O Coelho (meu companheiro de peregrinação) e eu chegamos até cedo ao aeroporto, fizemos o check-in rapidamente e fomos para a sala de embarque. O embarque foi feito na hora certa (apesar de termos visto um “Última chamada” no monitor, o que deixou vários passageiros ressabiados, até descobrirmos que era um inédito “Última chamada para a sala de embarque”; ah, tá!), pela primeira vez durante a peregrinação.
O voo iria deixar o aeroporto na hora. Eu até comentei que era a primeira vez — nas voltas de Belo Horizonte e do Rio, ficamos esperando um tempão dentro do avião, por causa do tráfego aéreo em Congonhas —, e lá fomos nós.
O piloto recebeu autorização para decolar, acelerou, acelerou, acelerou… E, no meio da pista, brecou violentamente, abortando a decolagem. Eu, que, desde aquele acidente com o Fokker da Tam no Jabaquara, em 1996, não sou nenhum grande fã de decolagens (ok, ok, tenho medo, mesmo), já comecei a imaginar o que seria. Bem, fosse o que fosse, ao menos não aconteceu no ar.
Voltando ao pátio, o piloto nos informou que fora uma indicação (talvez fosse uma luzinha; sei lá) que estava dando informações incorretas sobre a rotação das turbinas. Tudo consertado, ainda precisamos esperar o sistema de freios esfriar para taxiar novamente. Hora de decolar finalmente, certo? Errado. Desta vez nem chegamos a nos aproximar da pista, e o piloto informou que teríamos de voltar ao pátio, porque agora o indicador não estava mais nem funcionando.
Mais uns minutos, e voltamos à pista, agora com a explicação do piloto para o segundo problema: na pressa, haviam encaixado errado o bagulhinho. Na pressa? Eles acham que estão lidando com o quê? Com um walk machine? Com um avião de controle remoto? Se eu não estivesse com um bilhete free, pode ter certeza de que eu teria descido do avião ali mesmo. Bem, pelo menos o piloto garantiu que não havia nada de errado com o avião (ah, sim, só com o bagulhinho), e acabamos decolando sem maiores percalços.
Logo depois da decolagem, o piloto entrou em detalhes. Num discurso longo, falou sobre a preocupação da companhia aérea com a segurança e coisa e tal e, depois de acabar o assunto, ainda ficou procurando mais, falando sobre a Copa do Mundo, sobre a dura vida no Brasil… O Coelho e eu caímos na gargalhada (não, não era riso histérico oriundo de nervosismo), só esperando um “votem em mim”, que acabou não vindo.
A única boa notícia foi que o aeroporto de Caxias do Sul, para onde estava programada uma escala, estava fechado, o que acabou compensando um pouco o nosso atraso. Mas sair de casa às cinco e pouco da manhã e voltar praticamente às onze da noite não é dos melhores programas. Para piorar, hoje tive expediente em horário normal e amanhã, sábado, há jogo do Brasil logo de manhã pela Copa, contra a China.
Foto: Em maio, fui para o Rio de Janeiro e fotografei a decolagem. Em Porto Alegre, não fotografei nada, até porque estava de noite. Crédito: Alexandre Giesbrecht.
