Fila para a revista, na entrada da arquibancada azul do Morumbi, antes de São Paulo × River Plate, em 2003. Foto: Alexandre Giesbrecht.

Que estatuto?

O jogo de ontem foi meu primeiro no estádio desde que o Estatuto do Torcedor foi sancionado, em maio passado — minha última experiência num estádio de futebol havia sido a final da Libertadores do ano passado, entre São Caetano e Olímpia, e minha última vez no Morumbi, uns quatro meses antes disso. Com estatuto ou sem estatuto, com ouvidor ou sem ouvidor, ir ao estádio não mudou nada. Presenciei ontem São Paulo 2×0 River Plate (2×4 nos pênaltis), e foi uma verdadeira muvuca para entrar no Morumbi. Isso porque havia apenas cerca de 36 mil torcedores. Imagina se fosse na época em que o estádio comportava 120 mil pessoas.

Só consegui entrar por osmose, mesmo. Havia um único corredorzinho formado pelas grades, mas entrar nele era tarefa complicadíssima. A polícia deixava entrar apenas um por vez, e havia centenas querendo entrar. Quando começaram a empurrar, eu nem precisaria ter mexido as pernas. Na hora de ser revistado, eu poderia ter entrado com um fuzil AR-15, que o policial não teria percebido.

Lugares numerados? No verso do meu ingresso, havia um número, mas nem sei onde ficava. Fiquei em pé, mesmo, numa das escadas que cortam as arquibancadas. Não que eu fosse ficar sentado, ainda que no lugar certo. Foi daqueles jogos empolgantes, em que a torcida não para um minuto.

Apesar da derrota, valeu pelo espetáculo. E foi bonito ver a torcida aplaudindo o time depois dos pênaltis. Situação totalmente inversa da última decisão por pênaltis que eu presenciei no Morumbi: a fatídica final da Libertadores de 1994, contra o Vélez Sarsfield.

Foto: Fila para a revista, na entrada da arquibancada azul do Morumbi, antes do jogo. Crédito: Alexandre Giesbrecht.