Decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo de 2014.

A Copa do Mundo para americanos e para mim

O texto abaixo foi publicado originalmente em inglês, como um comentário no blog que o jornalista Dejan Kovacevic mantinha à época no jornal Pittsburgh Tribune-Review. O texto dele e o respectivo comentário não estão mais no ar no site do jornal, mas ainda podem ser encontrados no Internet Archive.


Nunca encontrei um americano (ao menos em pessoa) que tenha dito que odiava futebol. Quer dizer, alguns deles não ligavam para esse esporte, talvez a maioria, mas não diziam odiar. Talvez por estarem no Brasil eles estivessem dando uma de cavalheiros, sei lá. Mas garanto que nunca sequer perguntei a eles sobre isso — nas vezes em que falei de esportes, preferi falar de beisebol ou hóquei no gelo.

Mas na Internet a coisa sempre foi diferente, e é exatamente o que o Dejan escreveu. O “escudo” provido por um teclado faz com que algumas pessoas pensem que é aceitável descontar sua frustração de qualquer maneira, como se quisessem controlar o que o jornalista/colunista/blogueiro diz.

É claro que este tópico foi levantando por (alguns) americanos em relação ao futebol, porém já vi isso acontecer com vários outros assuntos em vários outros blogs populares de qualquer idioma por gente de qualquer nacionalidade. “Odeio o seu time”, “Não fale sobre tal esporte” etc. As palavras mudam, mas a inquietação mental não muda.

Em relação à Copa do Mundo em si, eu gostaria de estar mais orgulhoso do fato de ela estar acontecendo na minha terra. Eu gostaria de estar mais feliz por alguns dos jogos serem disputados na minha cidade. Não me entendam errado: sou favorável à Copa do Mundo e, ao contrário de muitos amigos, torcerei pela Seleção. Mas fico incomodado com bilhões e mais bilhões de reais terem sido gastos em estádios localizados em cidades que não têm times nem na terceira divisão nacional e de que aqui em São Paulo um grande percentual desse orçamento público foi gasto em um estádio privado.

Algumas pessoas dirão que muito desse dinheiro público terá de ser pago. Só que, pura e simplesmente, não será. Todos os grandes clubes do País têm dívidas com o Governo Federal de seis dígitos, que têm sido roladas por décadas, sempre crescendo.

Mas chega de más notícias. A Copa do Mundo é algo que eu amo desde 1986 (em 1982, eu odiava futebol — estão vendo?, mesmo eu não resisti a escrever isso!), e nenhuma má administração, nenhum mau governo nem nada vai tirar isso de mim. Ontem, enquanto voltava para casa a pé pela Avenida Paulista, foi muito legal ver torcedores do mundo todo conhecendo a minha cidade, divertindo-se e interagindo entre si e com os habitantes “normais”, como eu.

A Copa do Mundo traz consigo hábitos como colecionar figurinhas, que sempre foi algo popular nas edições anteriores. Mas desta vez esse hábito é totalmente diferente, por causa do local onde a Copa será disputada e do impacto com as redes sociais. Também posso dizer que fiquei orgulhoso das instalações onde a seleção dos Estados Unidos está treinando, porque elas pertencem ao meu time (e não foram custeadas com dinheiro público) e foram elogiadas pela mídia americana. Mesmo a Sports Illustrated dedicou um minuto inteiro de um vídeo de três minutos para elogiar as instalações. Os são-paulinos estão muito orgulhosos disso.

Eu gostaria de ter conseguido um ingresso para algum dos jogos no Rio de Janeiro, em Curitiba ou em Belo Horizonte — não em São Paulo, porque meu “protesto”, por mais insignificante que seja, será nunca pisar no Itaquerão. Não consegui comprar um ingresso, mas seguirei tentando. [Atualização: Eu consegui.]

Bem, isso é a Copa do Mundo para mim. É a maior competição. Mesmo eu podendo dizer tranquilamente que me importo muito mais com o São Paulo do que com a Seleção, isso não quer dizer que eu não ligue para a segunda. E, durante a Copa do Mundo, ela é a coisa mais importante. A não ser, claro, que os Penguins estivessem nas finais da Copa Stanley.